8.11.17

Carta pro meu eu do passado

| |

E eu, que devia estar pintando uma tela da Tete de Femme mas estou escrevendo alguma porcaria aleatória no Folk? Acho que não adianta, não tenho jeito mesmo risos. Nesse tempo em que não postei, tive um bloqueio criativo muito forte e eu comecei a cogitar bastante largar não só o blog, mas a blogosfera. Pois é, foi uma crise existencial fortinha, até troquei o layout mas ando preferindo a simplicidade então o melhor é deixar assim mesmo. 
O motivo de estar pintando a Tete de Femme o que na real não estou a fazer ainda é que amanhã tenho um trabalho sobre Picasso pra apresentar. Ficou legal pelo que já fiz e até coloquei o instrumental de On Melancholy Hill pra tocar entre os slides. Espero que fique bem legal ~
Mas o motivo pelo qual escrevo esse post hoje, nessa quarta-feira que me parece um domingo, pois fiquei de atestado a semana toda é a blogagem coletiva do Neko High que foi proposta pela Yuzu: Uma carta pra si mesmo do passado. Pessoalmente, escrevo cartas frequentemente pra mim mesma e sempre acabo me empolgando um pouco muito mais do que deveria, então talvez fique bem grande. 

Dear me...

Oi, tudo bem? Tá, não sei em que dimensão perversa um ser humano de bem começa uma carta com oi, tudo bem, mas finjamos que é uma coisa completamente comum e normal de minha parte. Quem sou eu? Eu sou tu *evil laugh* É, não tô mentindo nem brincando. A mesma pessoa que não gosta de feijão com arroz e que é emburrada e relativamente quieta, porém alguns anos mais experiente (e bonita. Pois é, sou mais bonita que você) está te enviando uma carta pra botar o papo em dia.

Se eu consegui enviar pro ano certo não entendo dessas coisas lol estamos em 2010, tu acaba de mudar de cidade e simplesmente pensa que teu mundo acabou. Olha, sinceramente: Teu mundo não acaba aí. A real é que tu nem vai sentir falta da cidade antiga por tanto tempo; o máximo que vai acontecer é esquecer como é ter o leiteiro trazendo leite da fazenda de manhã cedo e não encontrar mais cavalos andando por aí de tempos em tempos. Mas acho que isso é normal, afinal você saiu de uma cidadezinha construída em volta de uma praça e foi pra cidade vizinha, que é praticamente o dobro do tamanho. Não que esse lugar seja grande coisa — pelo contrário, odeio esse lugar.

A primeira coisa que dá pra notar quando tu muda de cidade é que finalmente para de sofrer bullying; pra onde você vai as crianças têm um pouco mais de bom senso e param de te colocar apelidos, ninguém mais te bate no ônibus e é tudo tranquilo. Com sete anos de idade, finalmente tu vai poder descansar (mas quem disse que você deixa sua irmã mais velha descansar, né? Pega leve com a coitada). Claro, eles vão continuar rindo de ti por ser gorda e tratando a palavra "gorda" como xingamento, mas tu aprende a levar isso na brincadeira (ou a bater em quem te irrita. Depois que tu der uns murros neles, por experiência própria te garanto que ninguém mais vai aparecer). Tu faz uma dita "melhor amiga" e se entrosa com o pessoal da tua turma até que bem rápido, mas com o tempo a tua amiguinha vai querer te deixar de lado. O jeito que lidei com isso foi ignorar, logo ela saiu da escola e tudo ficou 10/10 outra vez. O mais legal dessa escola é que todo mundo, seja mais velho ou mais novo, gosta de brincar junto. O teu esquema é brincar de exploração — era tu que fazia os mapas, as armas e as ferramentas pra geral brincar junto, todo mundo adorava essas coisas. Acho que até 2013 tu vai ficar por aí, então aproveita muito por mim e explora tudo que tu puder (mas não esquece de brincar de Barbie. E dá um tapa bem dado na guria que tenta roubar tua camiseta do Bob Esponja).

Depois disso tu vai mudar pra escola em que estudo. Pior coisa. Mas relaxa, aqui não vai ser tudo tão ruim quanto fiz parecer agora. Bem, óbvio que por estar em um ambiente novo tu vai querer fazer só três coisas: Vomitar, chorar e morrer. A pior parte é organizar a ordem de fazer as três. Logo depois de entrar na escola, uma menina aleatoriamente vai perceber tua presença na sala de aula e já sabe: Começa a coisa de melhor amiga de novo. A amizade de vocês vai dar um bom primeiro ano e tu vai começar a te acostumar, ela vai te apresentar pra todo mundo na turma e aí tu vai tentar interagir com o pessoal. Um monte de gente vai te tratar mal, rir do jeito que tu se veste, te diminuir e a lista continua; mas também tem gente boa por aí.

Acaba o primeiro ano, em 2014 a tua tia falece no dia da festa de aniversário da tua melhor amiga. Vocês trocam os presentes, mas ela meio que fica diferente (nem se preocupa, isso não vai durar muito). Depois do luto, sua família rompe relações com a parte paterna e você nunca mais vê seu único primo mesmo ele sendo um bolachão, repetindo com frequência a frase 'não tenho primos, pois é' quando na real você sabe que tem. É uma forma meio idiota de lidar com a saudade, mas foi o melhor que uma criança de onze anos conseguiu pensar. Nesse ano, eu conheci o Pedro, que é alguém bem especial pra ti. Mas nessa época ele era só um babacão com cabeça de cachopa.

Em 16 de novembro de 2014 eu resolvi criar meu primeiro blog, e bem, tô nesse ramo até hoje. Não sei se tu já passou a ser apaixonada por blogs, mas essa em particular é uma paixão bem antiga nossa! E em 2015 as coisas decaem muito.
Lembra as pessoas que te tratavam mal em 2013? A coisa piora. Sério. Todo dia é um comentário sobre o sapato que tu usa ou sobre o teu cabelo despenteado, alguém pra te "xingar" de gorda e  você simplesmente para de cogitar a possibilidade de ser bonita. Não são memórias legais, foram experiências bem dolorosas. Sabe as pessoas que tu considerava meia boca e as pessoas que tu considerava boas? Elas são piores ainda. Nesse ano sua melhor amiga vai simplesmente começar a falar mal de ti pelas costas sem um motivo aparente e bem, nesse ano você começa a gostar do Pedro. Sim, você conta pras suas amigas que gosta dele e elas simplesmente saem espalhando boatos de que tu tem certas manias possessivas em relação ao guri. Não são coisas muito leves ainda mais pra crianças de doze anos e acabam por chegar na tua mãe, que decide cancelar tua festa de aniversário. Pois é, tudo estragado por meia dúzia de megeras. Hoje em dia eu reconheço que não foi nada demais perder a festa (até prefiro ficar sem festa lol), mas era no mínimo o fim da minha vida naquela época. Eu queria te pedir pra por favor não sentir tanto por isso, mas sei que é impossível até porque se o passado mudar ocorrem boatos de que eu vá sumir lol. O pior é que nessa época as coisas pioram mais ainda e bem, você começa a pensar seriamente em se matar afogada na piscina (olha que doente: se matar na piscina de plástico? COMO???). Não é exagero, você quase reprova de ano e a sua maior vitória é chegar nas férias (ainda lembro bem de quando chorei sozinha no meu quarto na véspera de volta às aulas).

Em 2016 tu e o Pedro, que já são bem mais próximos, se tornam oficialmente melhores amigos (eu já parei de gostar dele aqui, ok? promessa) e tu começa no violão. Tu faz uma amiga virtual no fim do ano anterior e acredite, ela desgraça toda a tua cabeça. Na real, acho que a maioria dos teus amigos desgraça a tua cabeça então te aconselho ficar só com o Pedro mesmo (é idiota mas pelo menos não é um mentiroso). A pior parte de tudo que começa a acontecer com o passar do tempo é que tu não tem mais aquela habilidade de conversar com as pessoas como tu tinha antes e de fazer amigos com facilidade. Mas sério, você nem sofre tanto a perda porque se adapta perfeitamente a passar o tempo sozinha. As coisas começam a melhorar, tu passa a ir bem na escola e faz amigos maravilhosos na internet que te incentivam a várias coisas, ainda tem o blog, tu passa a treinar desenho e olhar pra si mesma com outros olhos, a se sentir bonita do teu jeito. O maior problema é que tu continua estudando com toda aquela gente que te tratava mal. E eles agem como se não fizesse diferença o que aconteceu antes, mas pra ti ainda faz toda a diferença. minha festa de aniversário com docinho, cara!!!

Esse ano admito que passei muita raiva, mas é o melhor ano da minha vida até agora. Tudo que perdi pros meus amigos em 2015, recuperei sozinha agora. Minha autoestima, o valor da minha vida, meus sorrisos e meu motivo pra seguir em frente foram todos restaurados. Pode não te parecer muita coisa, mas uma criança de onze anos perder a motivação em viver não deve ser muito bom, né? Talvez uma criança de sete anos não entenda absolutamente nada do que escrevi aqui, mas bem: Vai te acontecer muita merda que vai te ajudar a te descobrir. Sou amiga do Pedro faz quatro anos, me dou bem com todo mundo na minha sala mesmo tendo ranço, converso livremente com eles todos os dias, tenho uma família incrível (que por alguma razão não tem conhecimento do dano emocional que a escola me causou durante esses anos), vivo um dia de cada vez e bem, TENHO UMA SAORI!!! sério, a Saori é a minha parte favorita da minha vida. Ganhei ela em 2014 e não desgrudo da minha doguinha

Bom minha amiga, admiro muito a guerreira que tu é de aguentar tanta gente insuportável e de não levar mais nenhum desaforo pra casa. Pra quem antes chorava na escola, agora tu tá diferente e muito melhor (e mais bonita!!!). Tenho um objetivo atualmente, que é me formar no fundamental e passar na prova do Instituto Federal Sul-Riograndense, o que no caso vai acontecer. Me esforçarei muito e quem sabe não te envio outra carta futuramente? Nos vemos em breve!
Com amor, Joana ♡

Eu imaginei que fosse ser longo, só não pensei que seria tanto lol Demorei 3 horas escrevendo esse negócio, não li e não revisei, até porque resumir sete anos de vida não é muito fácil, mas enfim ~~ Preciso pintar a droga da tela agora. Me desejem sorte, crianças!
totoro dando tchau, olha se não é fofinho?

Um comentário

  1. ITAMIN!!!!
    eu já tinha lido antes, mas esqueci de comentar, eu não aceito que não tenha nenhum comentário AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA bom, vamos lá, depois que eu li a sua carta eu percebi que algumas coisas são meio que "normais" de acontecer, coisas que eu pensava que só acontecia comigo e os outros seres humanos não passavam por isso, eu também sofri muito bullying na infância (e contei isso na minha carta also) e muito mais quando eu estava no fundamental, mas não só por ser uma coisa ruim ou difícil de se passar, eu acho que hoje em dia eu me considero uma pessoa vitoriosa, porque eu consegui passar por tudo aquilo sem desistir, sem deixar que me abatessem e você fez o mesmo, não desistiu e continuou tentando, eu tenho muito orgulho de você e pode contar comigo nos próximos anos, meio que me arrependi de não ter se tornado sua amiga logo no começo, mas não ainda chorar pelo leite derramado!!!

    Eu sei que você vai conseguir passar na prova e completar seu objetivo, vou estar torcendo por você! <3

    Beijinhos
    Galaxy Wolf

    ResponderExcluir

Hey, tudo bem?
Espero que tenha gostado do que leu! Se gostou, por que não deixa um recadinho ou comentário? *Nunca te pedi nada* Sempre que recebo um comentário (por mais que demore pra responder) eu leio na hora e fico tão feliz que chego a reler duas ou três vezes. Quer fazer uma criança feliz? Não custa nada! <3